Itália enquadra membros do PCC na legislação antimáfia — primeira aplicação da lei Antimafia a organização brasileira
A Procuradoria Distrital Antimáfia de Turim (Procura Distrettuale Antimafia — DDA) enquadrou formalmente dois brasileiros ligados ao PCC na legislação antimáfia italiana, a mesma aplicada historicamente a Cosa Nostra, Camorra e ʼNdrangheta. É a primeira vez na história que a lei italiana de combate à máfia é aplicada a membros de uma organização criminosa brasileira. O enquadramento, viabilizado pela Operação Samba e pelas revelações de Vincenzo Pasquino, permite: (1) bloqueio ampliado de patrimônios no território italiano; (2) regime prisional de alta restrição (artigo 41-bis); (3) investigações aprofundadas sobre redes empresariais associadas; (4) cooperação internacional acelerada com o Brasil. O promotor antimáfia Giovanni Bombardieri declarou que o PCC não é mais tratado como um problema de segurança pública brasileiro, mas como uma organização mafiosa transnacional da mesma natureza que as máfias italianas. O governo Lula resiste ao mesmo enquadramento no âmbito doméstico, recusando classificação terrorista ou mafiosa para o PCC e o CV.